Florescer aos Céus

🌙 Como você está se sentindo hoje?

Florescer aos Céus

Alguns dias atrás, ouvi uma palestra sobre um assunto que eu já tinha percebido em mim, e algumas coisas que falaram me deixaram bem pensativa. Às vezes fico olhando para as árvores e me pergunto se elas também sentem esse frio que eu sinto por dentro. A palmeira, ela foi usada como exemplo. Disseram que ela primeiro cresce para baixo. Antes de levantar suas folhas, antes de aparecer, antes de ser vista, ela mergulha suas raízes na terra silenciosa. Ninguém percebe, ninguém aplaude. Mas é ali, escondida, que ela vai se fortalecendo.

E eu me vejo nisso. Ou pelo menos tento me ver. Porque às vezes sinto que estou parada, congelada em algum inverno que não passa. Os galhos nus da minha vida, a respiração curta, o riso que parece ter sido guardado num lugar inacessível. Meu rosto às vezes vira pedra, sem expressão, e eu me pergunto: será que alguém percebe? Será que alguém vê algo além da superfície?

Eu não sei se minhas raízes cresceram alguma coisa. Não sei se são fortes ou frágeis. Não sei se ainda tenho água dentro de mim ou se só me enrosquei em silêncio. Tem dias em que tudo parece parado. E talvez seja por isso que os olhares me pesam tanto. Eles buscam algo que eu não consigo entregar, e talvez nem eu saiba o que é. Há uma barreira que eu mesma construí, invisível, mas real. Uma barreira que protege, que esconde, que guarda tudo o que não consigo mostrar.

O inverno parece eterno às vezes. Ele cobre tudo com neve, e a gente caminha sobre ela sem fazer barulho. E mesmo assim, mesmo com o frio e a quietude, algo insiste. As raízes ainda se estendem. Procuram água, procuram força, procuram um lugar seguro para crescer. Talvez seja isso florescer aos céus: crescer em silêncio, sem pressa, sem plateia, sem que ninguém perceba, até que finalmente a força seja suficiente para erguer a copa, tocar a luz, alcançar o céu.

Eu me pego pensando se minhas raízes vão conseguir. Se minha própria vida está aprendendo a se sustentar. É como se cada estação tivesse um ensinamento. O inverno ensina silêncio, paciência, profundidade. Ensina que o que não se vê é tão importante quanto o que se mostra. Ensina que florescer não é um espetáculo, e sim um processo secreto, escondido onde ninguém olha.

E eu fico aqui, quieta por fora, cheia de movimentos por dentro. Movimentos que ninguém percebe, mas que existem. Movimentos que talvez um dia se transformem em folhas que se estendem para o céu. Movimentos que guardam esperança mesmo quando o frio parece não ter fim.

Às vezes me pergunto se vou me levantar alguma vez. Se vou me abrir. Se vou sentir o calor que perdi. Mas aí penso que talvez não seja questão de força ou pressa. Talvez seja só questão de tempo. De confiar que mesmo no silêncio, mesmo na imobilidade, as raízes crescem. Que mesmo no frio, algo se prepara para florescer. Que mesmo quando parece que nada acontece, o crescimento acontece onde ninguém vê.

E então fico imaginando o dia em que, finalmente, vou me erguer. Quando a neve derreter, o inverno ceder e as raízes estiverem prontas. Talvez minhas folhas se abram lentamente para o céu, não como um gesto de vaidade, mas como um gesto de vida. Como a palmeira que se ergue porque estava pronta. E talvez, só talvez, até eu perceba que o florescer não é sobre ser visto, mas sobre ter sobrevivido.

Até lá, sigo. Silenciosa, imóvel por fora, viva por dentro. Procurando água, tentando sentir calor, tentando acreditar que, mesmo escondida, mesmo no frio, ainda posso florescer aos céus.

E se ninguém perceber, tudo bem. Porque talvez o florescer verdadeiro seja isso: existir, crescer, estender-se, tocar o céu… mesmo quando ninguém olha.


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